EXAMES CITOPATOLÓGICOS DO COLO UTERINO NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO ENTRE 2014 E 2025: UMA ANÁLISE ETARIA E RACIAL

Resumo

Objeto do estudo: Exame citopatológico do colo uterino realizado na cidade do Rio
de Janeiro. Objetivo: Analisar os exames citopatológicos do colo uterino realizados
na cidade do Rio de Janeiro entre os anos 2014 e 2025, na perspectiva etária e racial.
Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e transversal, realizado
com mulheres atendidas em serviços de Atenção Primária à Saúde. A coleta de dados
ocorreu por meio de questionário estruturado, contemplando variáveis
sociodemográficas, histórico ginecológico, conhecimento sobre o exame
citopatológico e acesso aos serviços de saúde. Os dados foram analisados por
estatística descritiva, com apresentação de frequências absolutas e relativas,
permitindo a caracterização da amostra e a identificação de fatores associados à
adesão ao exame. Resultados: Os resultados apresentam um crescimento
progressivo na realização dos exames citopatológicos ao longo dos primeiros anos da
série histórica, seguido de queda acentuada a partir de 2020, coincidente com o
período da pandemia de COVID-19. A partir de 2022, verificou-se recuperação gradual
do número de exames, embora sem retorno imediato aos patamares pré-pandêmicos.
A maior concentração dos exames ocorreu entre mulheres de 25 a 49 anos, faixa
etária prioritária para o rastreamento, enquanto foi identificada redução progressiva
da realização do exame em mulheres entre 50 e 64 anos. Persistiram desigualdades
raciais, com sub-representação de mulheres pretas e indígenas. A variável
escolaridade apresentou elevada incompletude, inviabilizando análises mais
aprofundadas sobre seu impacto na adesão ao rastreamento. A maioria dos exames
apresentou resultado negativo para malignidade, evidenciando a efetividade do
rastreamento citológico na detecção precoce de alterações cervicais. As lesões de alto
grau e malignas apresentaram baixa prevalência ao longo do período analisado.
Quanto à periodicidade, a maior parte dos exames foi realizada em intervalo de um a
dois anos em relação ao exame anterior, porém uma proporção relevante apresentou
intervalo superior a quatro anos, indicando lacunas na cobertura e possíveis falhas na
educação em saúde. Conclusão: A análise dos exames citopatológicos do colo do
útero realizados no município do Rio de Janeiro evidenciou que a maior parte do
rastreamento se concentra em mulheres entre 25 e 49 anos, em consonância com as
diretrizes nacionais. Contudo, observou-se redução progressiva da realização do
exame em mulheres de 50 a 64 anos, indicando a necessidade de estratégias
específicas para ampliar a cobertura em faixas etárias mais elevadas, nas quais há
maior risco de progressão para neoplasias invasivas. Persistem desigualdades raciais
no acesso ao rastreamento, com sub-representação de mulheres pretas e indígenas,
o que reforça a existência de iniquidades estruturais nos serviços de saúde e a
urgência de políticas públicas voltadas à equidade. O estudo também demonstrou que
o rastreamento do câncer do colo do útero é sensível a contextos adversos, como
durante a pandemia de COVID-19, seguida de recuperação gradual. Apesar disso, os
dados apontam para avanços na qualidade dos registros e na estabilidade do
programa ao longo do período analisado.
Palavras-chaves: Enfermagem. Saúde da Mulher. Saúde coletiva. Neoplasias do
Colo do Útero.

Ano da defesa
2026
Data da Defesa
Orientador
Dra. Liana Viana Ribeiro
Eixo de Pesquisa
Presidente da Banca examinadora
Dra. Liana Viana Ribeiro
Membro interno
Esp. Tulio Cézar Souza Padilha
Membro externo
Dra. Vivianne Mendes Araújo Silva
Nota
9.60