O Programa de Residência em Enfermagem de Família e Comunidade (PREFC), da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, realizou, nesta terça-feira (18/08), a I Mostra Científica do PREFC. Com o tema “Tecendo cuidados, fortalecendo territórios: experiências, saberes e compromisso com o SUS”, o encontro aconteceu no Auditório Amarina Motta, da UNISUAM, em Bonsucesso, e promoveu um espaço de compartilhamento e valorização das experiências, pesquisas e práticas desenvolvidas no cotidiano da Atenção Primária à Saúde (APS).
A programação teve início com uma mesa de abertura que reuniu Jacqueline Carvalho, coordenadora-geral do PREFC; Emanuelle Pereira, superintendente de Integração de Área de Planejamento da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro; e Amanda Xavier, professora da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O momento contou ainda com a participação especial do Zé Gotinha, símbolo histórico da vacinação no Brasil, reforçando a defesa da ciência, da prevenção e do cuidado em saúde.
Ao longo da manhã, três mesas temáticas aprofundaram questões que também orientaram os trabalhos científicos apresentados na Mostra. O eixo “De-colonizar o cuidado: corpos e territórios” promoveu reflexões sobre os marcadores sociais que atravessam a saúde e sobre os impactos do racismo, do colonialismo e das desigualdades na produção do cuidado. A mesa contou com a participação de Maria da Soledade, professora titular da Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Michele Adriane da Costa de Jesus, tutora do PREFC, e Raquel Andrade, egressa do Programa.
Na sequência, eixo “Sistemas de Saúde, Políticas de Saúde e Planejamento e Gestão em Saúde” contou com Raphael Costa, coordenador-geral de Atenção Primária da Área de Planejamento 5.1, e Ana Luiza Machado Pinto, coordenadora-geral de APS da AP 3.3. O debate trouxe para o centro das discussões a organização dos sistemas de saúde, a implementação de políticas públicas e os desafios e possibilidades relacionados ao planejamento e à gestão do cuidado.
Encerrando as mesas temáticas, o eixo “Atenção Primária à Saúde como espaço de resistência e gestão do cuidado” reuniu Clara Beatriz Cavalcante, preceptora do PREFC, e Kalyane França, egressa do Programa. As discussões abordaram os desafios e as potencialidades da APS como espaço de produção do cuidado integral, educação, inovação, participação social e defesa do direito à saúde.
No período da tarde, a programação ganhou novos espaços e linguagens. Antes do início das apresentações científicas, os participantes acompanharam uma apresentação cultural do grupo do Programa Seguir em Frente, do CAPS Ivone Lara, reforçando a arte como instrumento de expressão, cuidado, encontro e produção de sentidos.
Em seguida, residentes, egressos e demais autores tiveram a oportunidade de apresentar e discutir os trabalhos científicos produzidos a partir de diferentes cenários e experiências do SUS. As apresentações aconteceram em formato de banner e proporcionaram um momento de diálogo entre autores, avaliadores e participantes, ampliando a circulação dos conhecimentos construídos nos territórios e nos serviços de saúde.
Paralelamente às apresentações, a Mostra ofereceu oficinas e espaços interativos que aproximaram ciência, arte, memória e cuidado. Entre as atividades esteve a Tenda Lélia Gonzalez: Acolher, Fortalecer e Aquilombar, acompanhada da construção da boneca Abayomi. O espaço promoveu reflexões sobre racismo, desigualdades, ancestralidade e resistência. Os participantes também puderam vivenciar o espaço “Bordando Pertencimentos”, que utilizou fotografias e bordados como instrumentos para ressignificar experiências, afetos e trajetórias, e a atividade “Tecendo Coletivamente”, uma oficina de fuxico que tomou a construção coletiva como metáfora para refletir sobre cooperação, vínculos, corresponsabilização e trabalho em equipe na produção do cuidado.
Reconhecimento à produção científica
Um dos momentos de destaque do encerramento foi a cerimônia de premiação dos trabalhos científicos. As premiações receberam nomes de mulheres cujas trajetórias deixaram importantes contribuições para a saúde, a ciência e a sociedade.
O Prêmio Lélia Gonzalez foi destinado ao eixo “De-colonizar o cuidado: corpos e territórios”, homenageando uma das principais intelectuais brasileiras na reflexão sobre racismo, gênero e desigualdade social. O trabalho vencedor deste eixo foi: A cultura afro-brasileira como tecnologia de promoção da saúde e fortalecimento do vínculo na atenção primária à saúde: relato de experiência, dos autores Mayara Cristina Antunes Lopes, Julia Soriano Cardoso, Luana Romariz Vargas e Willian Glemerson de Souza Domingos.
O Prêmio Ivone Lara, referente ao eixo “Atenção Primária à Saúde como espaço de resistência e gestão do cuidado”, homenageou a enfermeira, assistente social e compositora que se tornou referência também no campo da saúde mental. O trabalho vencedor deste eixo foi: Para Além das Ruas: Promoção da Saúde de Mulheres em Situação de Rua e os Desafios para a Equidade no Cuidado, das autoras Fernanda Marques dos Santos de Carvalho, Mariana Menezes Batista da Silva, Ana Beatriz Pinto dos Santos e Graziele Melo dos Santos
Já o Prêmio Cecília Donnangelo, destinado ao eixo “Sistemas de Saúde, Políticas de Saúde e Planejamento e Gestão em Saúde”, reconheceu o legado de uma das principais referências para a construção do campo da Saúde Coletiva no Brasil. O trabalho vencedor deste eixo foi: Protagonismo das residentes no estágio externo de gestão: fortalecimento do Grupo de Trabalho de Mortalidade Infantil, dos autores Letícia de Assis Santos, Catarina Jatobá de Souza, Thaís dos Santos Moreira, Thaynara Oliveira de Souza, Maurício Ramos Pereira e Beatriz Vilela.
